quinta-feira, 24 de março de 2016

ACOMPANHANDO JESUS DE PERTO PASSO A PASSO

No coração da nossa fé, pulsa o grande Mistério Pascal: a Paixão, a Morte, a Ressurreição e
 a Ascensão de Jesus Cristo. Toda a História da Salvação culmina nestes acontecimentos
salvíficos – e se fundamenta neles. Esta é a semana em que o ministério público de Jesus chega
ao ápice em seu sofrimento, morte e ressurreição.
Sugerimos que você imprima este texto e o leia todos os dias desta Semana Santa, caminhando
ao lado de Jesus nos dias mais difíceis que Ele viveu nesta terra.

RECONSTITUIÇÃO


Alguns estudiosos negam que possamos reconstituir o dia-a-dia da última semana de Jesus
devido às lacunas históricas e a episódios que não se encaixam numa cronologia perfeita.
Além disso, São João propõe um cenário muito diferente (talvez como interpretação teológica)
da Última Ceia e da relação entre ela e a Páscoa. A sequência de fatos que recapitulamos a
seguir obedece basicamente aos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas).
Se considerarmos as diferenças apenas no nível do detalhe e não como diferenças de fato, é
um material que pode ser de grande ajuda espiritual para todos nós.
Convidamos você, portanto, a ler esta reconstituição como um cenário provável, mas não
inquestionável, da última semana de Jesus. Participe das liturgias da Semana Santa em sua
paróquia, celebrando-as na comunidade da Igreja e abrindo-se à experiência renovada da
realidade central da nossa fé: nosso Senhor Ressuscitado está vivo no meio de nós!

DOMINGO DE RAMOS



A Semana Santa começou com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Na manhã do domingo
narrada pelos quatro evangelistas, a procissão de ramos em mãos nos transforma em parte daquela
 multidão que recebe Jesus como Rei. De acordo com Marcos, 11,11, Jesus voltou naquela
mesma noite para Betânia, na periferia de Jerusalém. Talvez Ele tenha ficado com seus amigos
Marta, Maria e Lázaro. É uma noite em que Jesus considera em seu coração os dias tão
difíceis que o esperam.

SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA SANTA


De acordo com Mateus 21, Marcos 11 e Lucas 19, Jesus retorna a Jerusalém neste dia e, vendo
as práticas comerciais vergonhosas realizadas na área do templo, reage com zelosa indignação
expulsando os vendilhões e denunciando que eles transformaram a casa de seu Pai num covil de
ladrões. O evangelho de João registra ainda que Ele repreendeu a incredulidade das multidões.
Marcos, em 11,19, escreve que Jesus voltou para Betânia também nesta noite. Oremos com
Jesus, tão zeloso por nos purificar. Reflexão: ainda insistimos em transformar a religião em negócio?

TERÇA-FEIRA DA SEMANA SANTA



Segundo Mateus, Marcos e Lucas, Jesus retorna mais uma vez a Jerusalém, onde é confrontado
pelos dirigentes do templo quanto à Sua atitude do dia anterior. Eles questionam a autoridade de
Jesus, que responde e ensina usando parábolas como a da vinha (cf. Mt 21,33-46) e a do
banquete de casamento (cf. Mt 22,1). Há também o ensinamento sobre o pagamento dos
 impostos (cf. Mt 22,15) e a repreensão aos saduceus, que negam a ressurreição (cf. Mt 22,23).
Jesus faz ainda a terrível profecia sobre a destruição de Jerusalém caso os seus habitantes não
creiam nele, afirmando que não restará pedra sobre pedra (cf. Mt 24). Continuemos a rezar
com Jesus e a ouvir atentamente os seus ensinamentos finais, pouco antes da Paixão.

QUARTA-FEIRA DA SEMANA SANTA

É neste dia que Judas conspira para entregar Jesus, recebendo em troca trinta moedas de
prata (cf. Mt 26,14). Jesus provavelmente passou o dia em Betânia. À noite, Maria de Betânia
o unge com um caro óleo perfumado. Judas objeta contra esse “desperdício”, mas Jesus o
repreende e diz que Maria o ungiu para o seu sepultamento (cf. Mt 26,6). Os ímpios conspiram
contra Jesus. Reforcemos a nossa oração em união com Ele. Reflexão: de que forma nos
prestamos a apoiar, mesmo sem querer diretamente, aqueles que conspiram contra Jesus?

QUINTA-FEIRA SANTA




Começa o Tríduo Pascal, os três dias que culminarão na Ressurreição de Jesus.
O Cristo instrui seus discípulos a se prepararem para a Última Ceia. Durante o dia, eles
fazem os preparativos (cf. Mt 26,17). Na Missa da Ceia do Senhor que celebramos
em nossas paróquias, recordamos e tornamos presente, neste dia, a Última Ceia que Jesus
compartilhou com seus apóstolos. Estamos no andar superior, com Jesus e os doze, e
fazemos o que eles fizeram. Por meio do ritual de lavar os pés (Jo 13, 1) de doze
paroquianos, todos nós nos unimos no serviço de uns aos outros. Por meio da celebração
desta primeira Missa e da instituição da Sagrada Eucaristia (Mt 26,26), unimo-nos a Jesus
e recebemos o Seu Corpo e o Seu Sangue como se fosse a primeira vez. Nesta Eucaristia
damos especiais graças a Deus pelo dom do sacerdócio ministerial: foi nesta noite que Ele
ordenou os seus doze apóstolos a “fazerem isto em memória de mim”. Após a Última Ceia
que foi a Primeira Missa, os apóstolos e Jesus se dirigem pelo Vale do Cedron até o Horto
das Oliveiras, onde o Cristo lhes pede que orem e vigiem, enquanto Ele experimenta a sua
agonia (cf. Mt 26,30). Nós também iremos em procissão, com Jesus vivo no
Santíssimo Sacramento, até o altar de repouso, previamente preparado na paróquia, e
que representa o Horto. A liturgia de hoje termina em silêncio. É antigo o costume de
passar uma hora em adoração diante do Santíssimo Sacramento nesta noite.
Permanecemos, assim, ao lado de Jesus no Horto das Oliveiras e oramos enquanto
Ele enfrenta a sua terrível agonia. Perto da meia-noite, Jesus será traído por Judas.
O Cristo será preso e levado para a casa do sumo sacerdote (cf. Mt 26,47).

SEXTA-FEIRA SANTA



Durante toda a noite, Jesus fica trancado no calabouço da casa do sumo sacerdote.
Pela manhã, Ele é levado até a presença de Pilatos, o governador romano, que repassa o
caso para o rei Herodes. Herodes o manda de volta para Pilatos, que, em algum momento
no meio da manhã, cede à pressão das autoridades do templo e das multidões e condena
Jesus à morte cruel por crucificação. No final da manhã, Jesus é levado pelos soldados
através da cidade até a colina do Gólgota. Ali, ao meio-dia, Ele é pregado à cruz e agoniza
durante cerca de três horas. Por volta das três da tarde, Jesus entrega o Espírito ao Pai e morre.
Descido da cruz, é colocado apressadamente no sepulcro antes do anoitecer. Este é um dia
de oração, jejum e abstinência. Sempre que possível, os cristãos são chamados a se abster
do trabalho, de compromissos sociais e de entretenimento, a fim de se dedicarem à oração
e à adoração em comunidade. De manhã ou ao meio-dia, muitas paróquias realizam a última
via-crúcis e uma palestra espiritual sobre as sete palavras finais de Jesus. Outras paróquias
oferecem a via-crúcis e as “Sete Palavras” às 3h da tarde, no momento da morte de Jesus.
À tarde ou à noite, nos reunimos silenciosamente em nossas igrejas para refletir sobre a
morte de Jesus na cruz e rezar pelas necessidades do mundo. Também veneramos a redenção
de Cristo na cruz com um beijo sobre o crucifixo. Nossa fome, neste dia de jejum, é satisfeita
com a Sagrada Comunhão, consagrada na véspera e distribuída no final desta liturgia.
Refletimos também sobre os apóstolos, que podem ter se reunido com medo na noite
anterior e refletido sobre tudo o que havia acontecido
.
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SÁBADO SANTO



O corpo de Jesus está no sepulcro, mas a sua alma, entre os mortos, anuncia o Reino dos Céus.
Chega a hora em que os mortos ouvem a voz do Filho de Deus – e os que a ouvem viverão
(Jo 5,25). Enquanto isso, desolados com a morte de Jesus, os discípulos observam o sábado
judaico imersos na tristeza. Eles se esqueceram da promessa de Jesus. Mas nós não podemos
nos esquecer! Não podemos esquecer! Nesta noite, depois do pôr-do-sol, nós nos reuniremos
em nossas paróquias para a Grande Vigília Pascal, durante a qual experimentaremos o
Jesus ressuscitado dos mortos! Começaremos o nosso encontro na escuridão e acenderemos
o fogo da Páscoa, que nos lembra que Jesus é a Luz que brilha nas trevas. Jesus é a Luz do mundo. Entraremos na igreja e ouviremos atentamente os relatos da Bíblia que descrevem a obra
salvadora de Deus nos tempos passados. É então que, de repente, as luzes da igreja são
acesas e é cantado o Glória jubiloso com o qual celebramos o momento da Ressurreição de Cristo!
Jesus Cristo vive! Na alegria da Ressurreição, celebramos então os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia para os nossos catecúmenos e para os candidatos que se prepararam
durante muitas semanas até a chegada desta noite. Como Igreja, cantamos o Aleluia pela primeira
vez em longos quarenta dias. Faça tudo que estiver ao seu alcance para estar presente nesta
noite na Vigília Pascal e convide também os seus amigos e a sua família. A Ressurreição de Cristo
é o centro da nossa fé: é o momento mais importante de toda a História da Salvação! A nossa
vigília culmina em uma alegria pascal que nunca mais terá fim!

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